A neblina abraçava as encostas de Glencoe como um manto espesso de prata, ocultando os picos afiados das Highlands. Ali, onde o céu encontrava a terra num beijo gélido, Isla e Ewan caminhavam em compasso sereno. O silêncio ao redor não era ausência de som, mas a melodia profunda do mundo respirando. Sob as botas de couro, a turfa úmida cedia gentilmente, liberando aromas de musgo antigo e urze recém-desabrochada.
Ewan parou os olhos fixos na vastidão que se
desdobrava à frente. O vento, incansável e antigo, brincava com seus cabelos
escuros, enquanto ele entrelaçava os dedos nos de Isla. O calor daquela mão
pequena contrastava com a brisa cortante, sendo a única âncora que o impedia de
voar com a tempestade iminente. Ela sorriu, um gesto sutil que iluminou a
palidez da manhã escocesa. Havia, em seu olhar, o reflexo das águas profundas
do Loch Leven, sereno na superfície, porém insondável nas profundezas.
— As pedras aqui guardam segredos, não acha? —
sussurrou a jovem, a voz carregando a mesma cadência do riacho que serpenteava
pelo vale.
— Elas apenas escutam — respondeu ele, aproximando-se
até que os ombros se tocassem. — Somos nós quem damos voz a elas.
O cenário bucólico era um santuário isolado alheio à pressa dos homens. Arbustos rasteiros pintavam o chão com tons de púrpura e verde-musgo, criando um tapete macio sob o qual a história daquelas montanhas dormia. Um falcão cruzou o firmamento cinzento cortando as nuvens com precisão cirúrgica, lembrando aos amantes que a liberdade possuía asas e vastidão.
Isla encostou a cabeça no ombro de Ewan, permitindo
que a aspereza do casaco de lã aquecesse sua face. O ritmo do coração dele
batia compassado, uma canção de ninar que a terra conhecia desde os primórdios.
Não precisavam de promessas grandiosas nem de palavras vazias. O amor deles era
forjado na mesma rocha que sustentava os vales: silencioso, inabalável, eterno.


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