terça-feira, 23 de maio de 2017

Brisa Silenciosa

Oh, brisa silenciosa e enigmática;
Que até envolve este fútil corpo, mas não minha alma;
Que desdenha meus profundos desejos
Que não embala e não acalenta os anseios.

Mergulhas a sombra nefasta, sombria;
Não arrefece o pesar desta nostálgica saudade
Dispa-me aos pés da incólume aflição
E mesmo assim, sou passageiro com emoção.

Brisa silenciosa da neblina escura
Quanto às lembranças tempestivas e áridas
Leve-as, tal qual a leve bruma – suave e pura.

Brisa silenciosa de neblinas ávidas
Respeite as dores vindas do açoite sem candura;
E assim, tais emoções tornem-se cálidas.


Autor: Roberto Mello
Imagem: cocoparisienne

sábado, 13 de maio de 2017

Inenarrável

Penumbra que rasga alguma nuance de esperança
E que rasga, e que a dilacera em infinitos fragmentos,
Os imensuráveis registros, mas não esquecidos,
Em uma gaveta chamada de saudosas lembranças.

Tantas lembranças de tempos de outrora
Que a aurora intocável adornava a crença infantil
Com sua maestria embalava cada segundo da hora
Através de anseios, esperanças e quimeras mil.

A penumbra se fez assídua leitora destes registros
Até questionou alguns instantes do teu crescer
Mas, teu olhar não permitiu a possíveis sinistros;
E o orvalho se fez testemunha do diário alvorecer.

E assim... O dito pelo não dito;

A esperança tornou-se reflexiva diante da penumbra
A aurora bajulou, serenamente, a angústia indomável;
O orvalho desenhou uma paisagem que deslumbra
Que na consciência; a lembrança é de valor inenarrável.


Autor: Roberto Mello
Imagem: panimo