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terça-feira, 3 de agosto de 2021

E VEJO LUZ

 

 

Brilho intenso que seduz

E que não reprime

Nem tão pouco oprime

Mesmo um pequeno feixe

Ainda reluz

E vejo luz!

Pelas calçadas, à noite;

Sou peregrino sem destino

Não procrastino,

Afinal, da vida, sou apenas um reles inquilino.

E se o tempo não oprime

Tenho infinitos segundos de sonhos.

Sem transgredir à própria sorte

Sem ultrajar minha própria pena de morte

Ainda consigo ver uma centelha de luz.

E vejo luz!

terça-feira, 6 de julho de 2021

O Tango Eternizado

 

Juarez Neto, gaúcho de Santa Maria, desenvolveu o gosto pelo tango devido à influência familiar. Ele cresceu ouvindo e assistindo shows desta dança, a qual exibe um monobloco de sensualidade, drama e paixão regido pelo trio violino, flauta e violão.

Ele é tão apaixonado por este estilo que assistiu inúmeras vezes ao filme “Perfume de Mulher” interpretado por Al Pacino, afinal, o tango Por Una Cabeza de Carlos Gardel integra a trilha sonora.

Ao completar 80 anos de óbito do artista imortal por acidente de avião, Juarez viajou à Buenos Aires e seguiu para o cemitério de Cacharitas. Há muito desejava conhecer.

Apesar da extensão do cemitério tanto no plano horizontal como vertical — com três níveis abaixo do solo — a referência do local é a Rua 33.

Após alguns minutos de caminhada pela ala principal, enxergou a estátua perfeita. Ela, ali, na esquina; a cópia do estilo clássico do passado em toda sua plenitude — de terno, colete, gravata borboleta e com uma mão no bolso e outra na altura do abdômen.

Juarez aproximou-se e absorveu as imagens das flores, túmulo, ornamentações e a figura do ícone. Ficou na mesma posição quase uns dez minutos. A seguir, pegou uma das rosas vermelhas junto à sepultura e a colocou no pequeno vão existente entre a mão e o abdômen da imagem e se retirou.

Depois de excursionar por ali por quase duas horas, decidiu-se por ir embora.

No momento que transpôs os grandes portões da entrada, ele ouviu o choro suave e longínquo de um violino acompanhado pelo exímio e solene som de uma flauta. Parou, virou-se, olhou para o interior do cemitério e sussurrou: não acredito!

 

                                           Imagem: ArtTower

 

sábado, 9 de janeiro de 2021

PARTITURA

Partitura

 

Descortinei diante dos meus olhos uma ilusão

Afetou de modo angustiante minha alma

Afligia-me noite e dia sem nenhuma calma

Obstruía minhas veias e destruía um coração.

 

E este coração

impetuoso

audacioso

esperançoso,

Embora perdido

Sem os fantasmas do passado

Cobiça conjugar o verbo amar.

 

A este AMAR

Navega-se por tempestades em alto mar

Com ondas que avassalam tua alma sem a encontrar

Insistentemente,

aspiro reencontrar,

O elo perdido da verdadeira

derradeira emoção.

 

Questiono:

“Descobri” minha insólita e audaz ilusão?

Com ou sem veemência ao reduto do meu coração?

Enganei-me pelos ternos impulsivos instantes?

Ora... Ora;

Suportava o imaginável fantasiado de aventura

minha mente bailava

E se adocicava nessa loucura.

Então...

Pelos dias de outonos passados;

Pelas noites de pesadelos ou saudades

- apenas mais uma partitura –

 

Música

AnalogueCabin

Artista

Noir Et Blanc Vie

Vídeo e Texto

Escritor & Poeta Roberto Mello