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quinta-feira, 25 de junho de 2026

O SEGREDO DAS VIGAS

 

Sou o ferro que fita o fim da tarde,

Frio e fixo na fenda do firmamento,

Fui forjada na febre que não arde,

Fio de aço, fantasma, fundamento.

Sinto o gosto de luz no arrepio do vento,

Vejo o som do silêncio que emerge do chão,

Toco o cheiro da sombra, o rubro lamento,

De quem deixa no alto um feixe de vão.

Eu guardo. Eu guardo o que não se diz.

Eu guardo o suspiro que o Sena levou.

Eu guardo o olhar que cruzou Paris,

Eu guardo o que foi, mas nunca ficou.

Um passo.

Dois degraus,

O céu parece perto.

Três tempos,

Um abismo,

O coração desperto.

Quatro,

Cinco...

Onde termina o teto?

Mas o que vi naquela noite fria?

Não conto aos ventos, nem ao rio escuro.

O que se cruzou na geometria,

Fica guardado no meu peito duro.







quinta-feira, 4 de junho de 2026

A ARTE DE TEIMAR

 

Aos 25, o espelho mente. A crise dos 25 anos ecoa na garganta. São cinco anos, meia década afundada em apostilas de concurso público, em busca da tal estabilidade financeira que escorre pelos dedos.

Enquanto o feed transborda casamentos, eu transbordo ansiedade. O Tinder virou um cemitério de “ois”; arrumar um namorado exige mais sorte do que gabaritar raciocínio lógico. Quero um amor, sim. Mas também quero meu nome no Diário Oficial. Quero a paz de um contracheque seguro e o calor de um abraço em domingo chuvoso.

A aprovação não vem. O relacionamento não vinga. É um compasso de espera que dói, uma valsa em que piso no próprio pé. "Estuda que a vida muda", dizem. Mas, e enquanto não muda? A gente sangra café e chora baixinho.

Mesmo assim, amanhã eu desperto. Passo rímel na esperança, fecho o app de encontros e abro o PDF de Direito Administrativo. A vida é a arte de teimar.