Aos 25, o espelho mente. A crise dos 25 anos ecoa na garganta. São cinco anos, meia década afundada em apostilas de concurso público, em busca da tal estabilidade financeira que escorre pelos dedos.
Enquanto o feed transborda casamentos, eu transbordo
ansiedade. O Tinder virou um cemitério de “ois”; arrumar um namorado exige mais
sorte do que gabaritar raciocínio lógico. Quero um amor, sim. Mas também quero
meu nome no Diário Oficial. Quero a paz de um contracheque seguro e o calor de
um abraço em domingo chuvoso.
A aprovação não vem. O relacionamento não vinga. É um
compasso de espera que dói, uma valsa em que piso no próprio pé. "Estuda
que a vida muda", dizem. Mas, e enquanto não muda? A gente sangra café e
chora baixinho.
Mesmo assim, amanhã eu desperto. Passo rímel na
esperança, fecho o app de encontros e abro o PDF de Direito Administrativo. A
vida é a arte de teimar.


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