Sou o ferro que fita o fim da tarde,
Frio e
fixo na fenda do firmamento,
Fui
forjada na febre que não arde,
Fio de
aço, fantasma, fundamento.
Sinto o
gosto de luz no arrepio do vento,
Vejo o som
do silêncio que emerge do chão,
Toco o
cheiro da sombra, o rubro lamento,
De quem
deixa no alto um feixe de vão.
Eu guardo.
Eu guardo o que não se diz.
Eu guardo
o suspiro que o Sena levou.
Eu guardo
o olhar que cruzou Paris,
Eu guardo
o que foi, mas nunca ficou.
Um passo.
Dois
degraus,
O céu
parece perto.
Três
tempos,
Um abismo,
O coração
desperto.
Quatro,
Cinco...
Onde
termina o teto?
Mas o que
vi naquela noite fria?
Não conto
aos ventos, nem ao rio escuro.
O que se
cruzou na geometria,
Fica
guardado no meu peito duro.


Nenhum comentário:
Postar um comentário