Powered By Blogger

quinta-feira, 25 de junho de 2026

O SEGREDO DAS VIGAS

 

Sou o ferro que fita o fim da tarde,

Frio e fixo na fenda do firmamento,

Fui forjada na febre que não arde,

Fio de aço, fantasma, fundamento.

Sinto o gosto de luz no arrepio do vento,

Vejo o som do silêncio que emerge do chão,

Toco o cheiro da sombra, o rubro lamento,

De quem deixa no alto um feixe de vão.

Eu guardo. Eu guardo o que não se diz.

Eu guardo o suspiro que o Sena levou.

Eu guardo o olhar que cruzou Paris,

Eu guardo o que foi, mas nunca ficou.

Um passo.

Dois degraus,

O céu parece perto.

Três tempos,

Um abismo,

O coração desperto.

Quatro,

Cinco...

Onde termina o teto?

Mas o que vi naquela noite fria?

Não conto aos ventos, nem ao rio escuro.

O que se cruzou na geometria,

Fica guardado no meu peito duro.







Nenhum comentário:

Postar um comentário