domingo, 15 de outubro de 2017

Queimadas

Ouvi o clamor da terra

Senti o odor de longínquas queimadas

Gritos atônitos transpassaram léguas

E que ecoaram por tamanho desespero. 


Filhotes ao ninho sem recurso

Restando-lhes apenas o segundo vindouro,

Que durante a ciranda das labaredas

Elas, sem piedade;

Encerram – prematuramente - o canto mágico,

Ou o uivo colossal,

Ou o ciclo da essência vital. 


Ouvi o clamor da terra

Ouvi a insensatez mundana

Ouvi histórias de futuro promissor

Embasados pela melodia fúnebre

Sem misericórdia daquela dor.


 Lembrem-se:
Diante de uma possível resposta

O equilíbrio natural acontecerá

E você sentirá as mesmas dores e aflições. 


Diante da força da natureza
Não há logística quanto à prevenção ou combate;

Não há soberania humana;

Ela, a natureza, é suprema!



Imagem: bbAAer

domingo, 3 de setembro de 2017

Reflexão

Terras matreiras
Equações sociais mal resolvidas
Igualdades que coexistem nas teorias
Blasfêmias insanas que vagam pelo ar
E que mutilam pessoas
E que transfiguram esperanças
E que transgridem o equilíbrio
Pelo próprio “Eu”.

Terras matreiras
Que transbordam incógnitas
Que disfarçam desigualdades
Que ocultam verdades
Que oferecem eventos sociais
Que oferecem iscas
Pelo próprio deleite.

É o jogo “dominador e dominado”
É o cassino “roleta e apostador”
É a selva “caça e caçador”.

E no social, o povo clama, chora, implora;
Passado, presente e futuro;
É a mesma história.




Autor: Roberto Mello
Imagem: cocoparisienne

sábado, 8 de julho de 2017

Sinopse do Amor

1 dia reinventei e decidi conjugar o verbo amar

2 momentos aconteceram que entristeceram meu coração

3 vezes ao dia pranteei por horas pela intensa solidão

4 primaveras tamponaram o direito de desejar e versejar

5 verões decidi esquecer. E viajei, e excursionei por veleiros;

6 instantes durante o passeio pela imensidão daquele mar, não entendi o bramar do revolto vento;

7 argumentos, em segundos, pairaram à mente, os quais agrediam como arqueiros

8 flechas penetraram à minha alma desejosas de um mortal intento

9 tentativas realizadas para calar, sufocar o desejo de amar

10 sorrisos encantadores, após longos anos, estremeceram meu corpo;

11 pares de olhares renovaram meu sentimento e a paz cintilou

12 meses após ter escolhido você percebi que nunca estive morto.

Enfim, hoje somos a perfeita manifestação ou a manifestação perfeita?



Texto: Roberto Mello
Imagem: yatheesh_

terça-feira, 23 de maio de 2017

Brisa Silenciosa

Oh, brisa silenciosa e enigmática;
Que até envolve este fútil corpo, mas não minha alma;
Que desdenha meus profundos desejos
Que não embala e não acalenta os anseios.

Mergulhas a sombra nefasta, sombria;
Não arrefece o pesar desta nostálgica saudade
Dispa-me aos pés da incólume aflição
E mesmo assim, sou passageiro com emoção.

Brisa silenciosa da neblina escura
Quanto às lembranças tempestivas e áridas
Leve-as, tal qual a leve bruma – suave e pura.

Brisa silenciosa de neblinas ávidas
Respeite as dores vindas do açoite sem candura;
E assim, tais emoções tornem-se cálidas.


Autor: Roberto Mello
Imagem: cocoparisienne

sábado, 13 de maio de 2017

Inenarrável

Penumbra que rasga alguma nuance de esperança
E que rasga, e que a dilacera em infinitos fragmentos,
Os imensuráveis registros, mas não esquecidos,
Em uma gaveta chamada de saudosas lembranças.

Tantas lembranças de tempos de outrora
Que a aurora intocável adornava a crença infantil
Com sua maestria embalava cada segundo da hora
Através de anseios, esperanças e quimeras mil.

A penumbra se fez assídua leitora destes registros
Até questionou alguns instantes do teu crescer
Mas, teu olhar não permitiu a possíveis sinistros;
E o orvalho se fez testemunha do diário alvorecer.

E assim... O dito pelo não dito;

A esperança tornou-se reflexiva diante da penumbra
A aurora bajulou, serenamente, a angústia indomável;
O orvalho desenhou uma paisagem que deslumbra
Que na consciência; a lembrança é de valor inenarrável.


Autor: Roberto Mello
Imagem: panimo

domingo, 2 de abril de 2017

Rio de Janeiro - Cidade Maravilhosa

Quanto às belas paisagens naturais dedilhadas pelo Grande Criador, sem dúvida.

Quanto ao povo carioca, sabemos que são trabalhadores, criativos, carismáticos, receptivos, guerreiros e festeiros. E estes atributos despertam, e muito, o interesse nacional e internacional pela cidade.

Quanto ao “Tendão de Aquiles” do Rio de Janeiro, aí é complicado falar.

A “Cidade Maravilhosa”, pra quem não sabe, convive com dores intensas no Tendão de Aquiles chamado “Golias”. E vocês sabem o que significa “Golias”?

domingo, 12 de março de 2017

SEGREDOS DO SILÊNCIO

À noite, ou melhor, ao repouso do crepúsculo,
Mergulho até encontrar minha janela secreta ao mundo.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

"As Sem-Razões do Amor" - Carlos Drummond de Andrade

Olá!
Hoje divulgo uma pérola diferente, aliás, bem diferente.
Será o Amor uma saída?

As “Sem-Razões” do Amor

Eu te amor porque te amo.
Não precisas ser amante,
E nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
E com amor não se paga.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

E Vejo Luz!

E vejo luz!
Brilho intenso que seduz
E que não reprime
Nem tão pouco oprime
Mesmo um pequeno feixe
Ainda reluz
E vejo luz!

sábado, 28 de janeiro de 2017

Hoje, Saudades!

Ouvindo o marulho das ondas
Fico evasivo à sintonia deste mar
Sem pestanejar
Não permaneço omisso
E duelo à minha sombra
Com os inesquecíveis ou saudosos “teus” que me faz recordar.